quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Reencontro de si mesmo

27.08.09 - por Carol Medeiros

A cena se repete. Você está triste, logo, não tem vontade de sair. Fica em casa pensando na vida, mais especificamente no que acabou de acontecer na SUA vida. Então, tudo, todos os filmes, todos os programas de TV, todos os entrevistados do Jô e até os comerciais te lembram ele. Ah, e todas as músicas, principalmente as músicas.

Claro que você não está a fim de sair. É compreensível e, eu diria, muito justo. É bom dar um tempo pra gente quando estamos tristes. É fundamental, inclusive, porque quando isso não acontece, acabamos atropelando as coisas e, pior, atropelando a nós mesmos.
Quando tentamos tapar buracos do coração, nem sempre a melhor opção é sair e conhecer outras pessoas. Ainda não tenho opinião formada sobre o bordão “amor com amor se paga”, mas acho que tem horas em que o melhor a fazer é se aquietar e chorar no travesseiro, que é lugar quente (se você tiver um cachorro, pode acreditar, ele será fundamental neste momento). O problema é o timing. Passam-se dias, semanas, meses e você lá, na fossa. Tudo tem seu tempo, e “viver” a tristeza faz parte da vida. Mas como saber quando é hora de sacudir, levantar a poeira e dar a volta por cima?

Hoje eu descobri uma coisa engraçada, e foi por isso que comecei a escrever. Quando estamos tristes, não queremos sair. Aí ficamos em casa e bate a deprê, então ficamos ainda mais tristes. Surgem programações bacanas, os amigos querem te tirar de casa, rola a festa do ano. E nada te interessa. Até que aparece algum evento, não precisa ser nenhum mega evento – aliás, é até melhor que não seja -, ao qual você simplesmente não tem opção de não ir. Mesmo sem vontade, se for aniversário de uma amiga querida, mesmo entendendo a sua fossa, sim, ela vai ficar uma arara se você não for.

E aí, já que não tem jeito e você vai ter que sair de casa mesmo, você levanta da cama, toma um banho quente, se livra da cara de choro e começa a produção. Escolhe uma roupa que te caia bem, porque já tem motivos suficientes pra se sentir mal naquele momento. Faz uma maquiagenzinha básica, nada de mais, mas que disfarce as olheiras. E aí, tcha-ram!
Você se olha no espelho. Seria exagero dizer que não vê mais sinais daquela tristeza que parecia que nunca ia passar, mas pelo menos se vê um pouquinho menos distante da mulher sorridente que ficou lá atrás, na semana passada, quando você ainda não tinha se entregado à fossa.
A tristeza não diminuiu a partir daquele momento. Ela não se desapaixonou de uma hora pra outra, nem deixou de sofrer. Quando ouvir uma música que a faça se lembrar do que passou, é provável que chore. Ainda nem está pensando em conhecer alguém, se arrepia só em pensar em se envolver novamente. Continua com vontade de ficar sozinha, pra não dizer com idéia fixa. Quer se conhecer, respeitar seu momento.
Ela nem se afastou propriamente da tristeza, mas quando se viu reagindo diante do espelho, ficou menos distante de si mesma. E isso a fez se lembrar de que, quando não nos perdemos de nós mesmos, sempre é possível se reencontrar.

5 comentários:

Gisele disse...

Carolzinha,
realmente essa semana vc está mais q empolgada, esse fechamento "quando não nos perdemos de nós mesmos, sempre é possível se reencontrar" foi sensacional...
sinto saudades d vc, cada texto seu é tão a sua cara q é como fosse um conselho de amiga mesmo...
As vezes um desabafo, como o dos candidados muito mal educados, q eu tb n aguento mais e me recuso a votar em qualquer um deles, ou como os conselhos amorosos..
São sempre ótimos!!!
Beijossss beijosss

Bruna Carvalho disse...

Carolzita, já estava sentindo falta de seus textos :)
Sabia q td q vc escreve se encaixa em uma parte da minha vida. Isso aconteceu comigo há no Carnaval, mas foi extamento ao contrário, eu não consigo ficar em casa "na fossa", eu saio, tento me divertir, rir, me distrair, etc ... e as vezes acabo atropelando o tempo certo q deveria acontecer as coisas. Bom, mas cada um reage de uma forma num momento desses né?
Adorei o texto e com certeza eu tirei proveito de algo.
Obrigada.
Bjs e continue assim.

Anônimo disse...

Cunhada, so super fa de voce e dos seus textos. Parabens!!!! Esta arrebentando, bj Pinha.

Bruno Amaral de Oliveira Rodrigues disse...

Carol, temos tanta sintonia em nossos textos que eu li o seu assim que você postou. Vim aqui deixar meu coments e o li novamente. E percebi uma frase nos últimos parágrafos que tem tudo a ver com o que eu acabei de escrever.

Bjs linda!!

Anônimo disse...

Oi, querida...que tocante...senti o seu texto, sabe...tanto este quanto o das saudades.

O bom do tempo passar é que a gente acaba percebendo que apesar dos dias difíceis, tudo passa...e você volta a se ver como uma mulher mais forte, inteligente e principalmente madura!!!!

TE adoro
Thais