quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Entendendo os sinais

por Maria Carolina Medeiros



Tem uma coisa que me intriga muito nas pessoas, principalmente nas mulheres. Não quero generalizar, mas é impressionante como a maioria de nós tende a apenas ouvir com os ouvidos e ignorar os outros sentidos. A gente ignora o que vê, não dá crédito às atitudes e posturas do outro para nos atermos apenas ao que nos é dito.

Muitas vezes um singelo “eu te amo” é suficiente para suprir anos de mágoas, de vacilos, de falta de carinho. Vem o perdão, mas as pisadas na bola permanecem. “Mas ele diz que me ama”. Diz, mas não demonstra. É o suficiente?

Adoramos dizer que os homens são contraditórios. Eu discordo. Um homem dá todos os sinais do mundo quando não está a fim de você. O problema é que quase sempre verbaliza de forma diferente da que age. O homem diz que você é a mulher da vida dele, mas passa semanas sem dar um telefonema. Não faz a menor questão de compartilhar da sua vida, não convive com os seus amigos. Na prática, você mal sabe da vida dele, imagine ser, de verdade, a mulher que ele ama. Claro que não é.

Acho que os homens têm muita dificuldade em falar sobre o que sentem. Demoram para tomar a iniciativa de dizer que amam, quando amam de verdade (porque quando não amam fica tudo bem mais fácil). Em uma relação desgastada, quase nunca é o homem que decide pôr fim: faz de tudo pra mulher terminar, só pra não ter o peso de dizer “não quero mais”.

Da mesma forma, quando um homem não está a fim, a chance de ele afirmar isso com todas as letras é mínima. Mas acredite, ele vai demonstrar de mil formas. Só não vê quem não quer.

Seria muito mais simples se a gente não tivesse que interpretar os sinais. Se todo mundo fosse direto e sincero o tempo todo. Mas não como não é assim que funciona, precisamos aprender a usar todos os sentidos. Ouça com os ouvidos, mas procure enxergar com os olhos. Leia os sinais: alguém que te ama quer verdadeiramente estar com você e te fazer feliz. Sem desculpas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A hora do coração


por Maria Carolina Medeiros

Quando se sabe, ao certo, que amamos alguém?
Pode ser quando faz tanta, mas tanta falta, que chega a doer no peito.
Pode ser quando quer tanto bem que, por muitos momentos, pensa no outro em primeiro lugar.
Pode ser quando gosta tanto da companhia que qualquer lugar fica incompleto quando não se está junto.
Pode ser porque tem vontade de contar as novidades, mas compartilha da mesmice com o mesmo interesse.
Pode ser porque o grude não enjoa, só faz aumentar.
Pode ser porque a admiração e o respeito fortalecem.
Pode ser quando tudo muda, o mundo muda, muda o modo de enxergar a vida, e não muda o amor.
Pode ser quando provoca o riso, e até quando acaba em choro.
Pode ser porque existem milhões de alternativas, mas faz-se a mesma opção todos os dias.
Pode ser porque esse encontro é raro, e porque o amor está tão claro...
Pode ser simplesmente porque amor a gente sente, e só.
Há tão pouco tempo, mas tanto.

Todos querem ser amados. Mas amar verdadeiramente é que é dádiva.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mentes travessas

por Maria Carolina Medeiros

Um fato fora de contexto e pronto: a confusão está feita. O livre arbítrio “permite” que cada um interprete absolutamente qualquer coisa da maneira que bem entender. E o problema é justamente esse: entender.

Tem aquele ditado que diz que “quem procura, acha”. E de tanto temer que algo acontecesse à sua volta sem que percebesse, de tanto receio de tapar o sol com a peneira, de tanto procurar... ainda assim, não achou.

Então, a mente travessa viu problema onde não tinha, afinal de contas, anormal era não ter problema nenhum. Se não havia problema em evidência, ora, devia ser apenas porque ele não estava aparente... devia era ser um problemaço, daqueles que não se enxerga tão facilmente.

Era isso: os problemas tinham que estar em algum lugar!, e resolveu procurá-los. Um número desconhecido no celular, uma chamada perdida, um torpedo com um enigmático “eu também” provavelmente era resposta a uma mensagem relembrando uma noite inesquecível. Só para a mente, porque a suposta noite entre amantes nunca existiu. Minto, existiu em sua imaginação.

E como é poderosa a tal da criatividade! A mente é uma criança que quer diversão, quer pensamentos libidinosos, quer problemas para resolver. Nela, as coisas deixam de ser o que são para se tornarem o que visualizamos que sejam.

Tem quem mantenha relações que estão evidentemente falidas: casamentos, amizades e trabalhos. É triste não ver o que está diante dos próprios olhos. Mas igualmente triste é ver tudo o que não está ao alcance dos olhos nem de lugar nenhum: está só na cabeça.

O medo de ser enganado pode ser desastroso. Mais um ditado: onde há fumaça, quase sempre há fogo. O problema é que mesmo se não há indício de incêndio, pensamentos podem levar a se queimar. A forma de encontrar verdadeiramente paz, se é que existe fórmula, é domar os pensamentos, ter controle sobre eles.

Viva, investigue o que sua intuição disser que não está legal, não deixe passar o que você não pode relevar sinceramente, mas não alimente a mente com pensamentos que podem machucar o coração.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dia de sol

Dizem que carioca é movido a sol. Pode ser. Eu sou. Sol me devolve a energia, literalmente. Me anima a sair da cama mesmo que não seja para ir à praia. E mesmo que eu precise me fechar em uma sala com ar condicionado, o que por um lado é torturante quando o dia chama lá fora, ainda assim tenho mais disposição do que em dias chuvosos. Porque eu sei que o sol brilha, e isso é o suficiente. Para mim e para muita gente!

Definitivamente, o sol dita comportamentos, principalmente nos fins de semana. Quando não tem sol, as pessoas saem menos de casa, os calçadões à beira mar se entristecem, vazios, os donos levam menos seus cachorros para passear, a água de coco dos quiosques está sempre gelada porque não tem quem beba, os restaurantes têm fila ao meio dia.

Quando o sol aparece, que alegria! A praia fica insuportavelmente lotada, o coco dos quiosques acaba, o trânsito fica caótico - afinal, nada é mais democrático do que praia e todos querem aproveitar o dia de sol. Mas tá valendo! Todo mundo se anima a sair de casa, nem que seja pra dar uma voltinha e dizer olá pro dia lindo que está do lado de fora. Quem acorda tarde sente como se tivesse perdido algo muito bom. E perdeu mesmo! Porque, apesar dos inconvenientes, em dia de sol as pessoas parecem mais felizes.

Se é dia de sol a gente almoça só no finzinho da tarde, pra aproveitar mais o dia. E se você marcou com os amigos de ir a qualquer lugar antes das 4 da tarde, pode esquecer: seus convidados não vão aparecer e darão a melhor das justificativas: pô, fulano, deu praia, como é que eu ia praí?

Sim, essa é uma justificativa plausível.

Já li que em países em que o sol quase não aparece e a temperatura fica lá embaixo na maior parte do ano, é maior a tendência a quadros depressivos. Dizem que até a taxa de suicídio aumenta. Eu acredito. Um belo dia de sol e céu azul anima até quem não vai à praia, quem almoça cedo e prefere se isolar num iglu de ar condicionado.

Você pode ter suas preferências e elas não incluírem praia. Você não precisa ser carioca para amar o mar e torcer por dias de sol. Porque um dia ensolarado não anima só quem gosta de se bronzear: anima a viver.

E que venha o verão!




quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Por favor, não alimente as plantas

por Maria Carolina Medeiros

Você já viu uma planta carnívora? Sabia que elas existem de verdade? Segundo a wikipedia, plantas carnívoras são aquelas que têm habilidade de capturar animais e, através de enzimas digestivas, extrair compostos nitrogenados para seu próprio aproveitamento.


Não sou bióloga e a única coisa que entendo sobre plantas é a sensação que receber flores me provoca. Mas lendo a definição sobre plantas carnívoras (não me perguntem por que), percebi que há muito mais em comum entre elas e humanos do que o fato de ambos sermos seres vivos.


Rir da “desgraça” alheia é praxe pra quase todo mundo. Mesmo a melhor das criaturas já caiu na gargalhada ao ver um desconhecido levar um tombo na rua. Mas existe uma tolerância pro nível de normalidade nesses casos. Se o escorregão provocou um acidente sério, eu ia parar de achar graça na hora. E você?


Existem pessoas que, assim como as plantas carnívoras, se nutrem da infelicidade do outro. Revêem um velho amigo, constatam que ele continua em forma e elogiam com uma ponta de inveja, em vez de perguntarem a receita do sucesso e aplicar para si. Adoram consolar a amiga que brigou com o namorado, mas se ausentam quando o casal está bem, porque na harmonia sua presença não é necessária. Ou seria porque não se sentem confortável com a alegria alheia? No fundo, essas pessoas precisam que o outro esteja mal, porque é assim que se sentem úteis, é disso que se nutrem; são como as plantas carnívoras.


Certa vez a querida mãe de uma querida amiga me disse que amigos não são necessariamente aqueles que te consolam no fracasso, e sim os que aguentam o seu sucesso. Como faz sentido! É muito mais difícil alguém que queira verdadeiramente o seu bem e consiga se nutrir disso, partilhando da sua felicidade. Porque alegria é assim, quanto mais a gente divide, mais tem. Mas precisa ser com gente do bem, que não fique forte na medida em que te enfraqueça.


Tanto se fala sobre namoros e casamentos saudáveis, mas que assim sejam também as amizades. Desconfie do amigo que precisa que você precise dele. Aquele que verdadeiramente te apoia estará, sim, ao seu lado quando você precisar. Mas se não precisar nunca, melhor ainda: vai querer estar com você mesmo assim. E vai dar graças a Deus por não ter que te emprestar o ombro pra chorar.