Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

por Maria Carolina Medeiros

Desde que criei meu blog, em 2008, sou apaixonada pelo Vinho com Batata. Cuido dele com carinho, só posto os textos que acho que valem a pena serem compartilhados, leio e releio cada palavra. Adoro ler cada novo comentário, saber o que minhas palavras suscitam em outros. É indescritível a emoção que sinto quando alguém que eu nem imaginava que acompanhasse o blog comenta que adora.

Só tem uma coisa que às vezes me irrita aqui. É quando resolvem achar que TUDO o que eu escrevo tem relação imediata com o que vivo. Gente, o blog não é biográfico. De fato, eu costumo escrever com base no que percebo. Algumas vezes tem a ver comigo, em muitas outras tem a ver com o que vejo, leio, penso, ouço, sinto. Escrevo, sim, como fruto das minhas percepções acerca de algo - daí a ressalva de que meus textos não contêm verdades absolutas, pois costumam ser opinativos. Mas é comum as percepções serem tão abrangentes que não retratam, necessariamente, o que EU sinto.

O grande barato de ter um blog é escrever o que se pensa sem censura de nada. É esse o objetivo do Vinho com Batata, e eu fico realmente lisonjeada por perceber que tem um público bem qualificado que dispensa um pouco do seu tempo para vir conferir o que eu escrevi. Se eu tivesse que pensar duas vezes antes de postar algo aqui, acho que perderia autenticidade, característica que considero primordial para este universo da leitura.

Queridos leitores, agradeço profundamente a preocupação, mas às vezes eu escrevo sobre algo que aconteceu a alguém próximo de mim que me fez refletir. Ou sobre uma sensação que me ocorreu após assistir a um filme. Sobre tudo. Ou sobre nada. Se escrevo sobre morte, não é porque estou pensando em suicídio. Quando questiono relacionamentos, não necessariamente estou passando por aquilo. Pode ter feito parte do passado, pode ter acontecido a uma amiga, posso ter visto um filme que desencadeou o pensamento. Tudo é fonte de inspiração pro escritor (modestamente, já me considero uma escritora! Eba!).

Fico pensando no que seria de Vinicius de Moraes (apenas para citar um dos mestres) se cada um de seus leitores, quando o lesse sobre paixão, o questionasse: “puxa vida, esse cara devia estar com muita dor de cotovelo para escrever isso”.

Lógico que quem escreve se expõe, e está sujeito à aprovação dos leitores. Não quero ausência de questionamentos. Mas como também sou leitora, posso afirmar que acho muito mais gostoso “sentir” a obra, refletir sobre ela, ou apenas gostar ou não, em vez de me ater ao motivo que resultou naquelas palavras.

Não tenho nem a mais remota intenção de dizer como quem me lê deve me interpretar. Estaria matando toda a graça de escrever (para mim), e de ler (para vocês). Aqui cabe mais um desabafo e também um agradecimento pela preocupação de que me lê e teima em associar que faço relatos biográficos.

E assim sigo escrevendo... e vocês me lendo... espero!

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Procure no dicionário

Maria Carolina Medeiros

Em tempos de reforma ortográfica, andei pensando: tinham é que inventar um dicionário contendo novas definições para palavras que são velhas conhecidas. Relacionamento, namoro, união, lealdade... está tudo tão confuso que as pessoas perdem o referencial e começam a chamar urubu de meu louro.

Temos mania de dizer que antigamente a vida sentimental era difícil: o homem que se interessava por uma moça tinha que pedir permissão aos pais dela para namorarem, rolava no máximo uns beijinhos (isso é o que dizem, tenho minhas dúvidas) e, se a coisa firmasse, casavam-se. Gente, ISSO é complicado onde?

Não estou dizendo que era melhor do que agora, acho super válido as pessoas poderem se escolher mutuamente, se gostarem ou não, ficarem juntas ou não, terem vários namorados antes de se casarem com um. Me considero sortuda por não ter nascido nessa época nem tão distante assim e ter a liberdade de escolha que antes era destinada majoritariamente aos homens. Acho legal que o objetivo de vida das mulheres não seja mais puramente se casar, é fundamental que todos tenham direito ao prazer. Mas dizer que as coisas se tornaram mais SIMPLES, ah, isso é mentira deslavada!

Todo mundo tem tanta liberdade de escolha que comumente as coisas se confundem: um “casal” sai junto todos os fins de semana, um freqüenta a casa do outro, mas num dado momento um dos dois diz que não quer compromisso sério. Ah, então não era sério até aquele momento? O que faria “aquilo” ficar sério? Alguém explica isso pra parte do casal que não estava entendendo dessa forma?

E olha que isso não acontece apenas com as mulheres, os homens também frequentemente “namoram” sozinhos. É comum a gente achar que quem passa por isso é porque não se percebeu os sinais do outro e não se mancou. Pode até ser, mas os “sinais” estão cada vez mais difíceis de serem decodificados.

Antes, aproximação significava interesse. Um beijo, então, era algo íntimo, destinado a alguém por quem você se interessasse de verdade. Hoje, beijo é resultado de atração, ou bebida demais, ou ainda de um “antes você do que sair liso da noitada”. Quando o cara ligava, era porque estava mesmo a fim. Agora pode ser só porque não tinha nada melhor pra fazer e te tirou da geladeira (crédito pro “Manual do Cafajeste”, que está nos favoritos daqui do blog). Sair juntos por fins de semanas a fio era igual a “quero estar só com você”, mas hoje pode querer dizer um monte de coisas, incluindo “gosto de você, mas quero sair com outras pessoas e espero que você ache isso normal, afinal, nunca falei a palavra namoro”. E ainda tem pessoas com coragem de dizer que as coisas ficaram mais simples! Eu, hein?!

A confusão que a falta de definição gera não pára por aí. Já vi casos de meninas que ficaram uma vez com o cara e “decidiram” que ele era sua propriedade: dali em diante, nenhuma amiga, nem anos depois, poderia cogitar ficar com o dito cujo. Como assim? Não teve nem namoro (nem definido, nem subentendido, vamos combinar), que cabimento tem esse comportamento de proibição?

Hoje, um beijo significa isso mesmo: apenas um beijo. Tem que vir acompanhado de muitas outras sensações – e pode acontecer, acreditem – para virar algo além de one night stand. Mas se não foi o que rolou, não dá pra encanar. Se todo mundo que beija alguém for excluído da lista de pretendentes, não sobra ninguém nesse Rio de meus Deus. É bagunça, é o que for, mas é a vida de hoje e temos que nos adequar. Mas que um dicionariozinho ajudava, ah, ajudava!

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Soneto do amor indecifrável

Maria Carolina Medeiros

Tantas tentativas de definição
Tantas noites sem dormir
Tantas perguntas sem respostas
Tantos caminhos, qual seguir?

Busca desenfreada
Sentimento que consome
Há razão no que sinto?
Mal sei o nome

O que é amor, afinal?
Dizem que é amor de mãe e pai
Dizem que é fraternal e por vezes, carnal

Não busco mais respostas
Nem caminho a seguir
Melhor não entender... só sentir.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Do que é feito o seu Dia dos Namorados?

Por Maria Carolina Medeiros

O Dia dos Namorados passou e li sobre a data em muitos blogs que acompanho (vocês podem ler também na seção “Dê uma espiadinha”, no lado direito da página). Li sobre a comemoração de casais apaixonados. Li a respeito de solteiros fizeram questão de celebrar, nem que fosse entre amigos. Li textos de quem está na fossa e agora respira aliviado porque o dia 12 de junho já passou, ufa.

E eu? Bem, eu sou entusiasta do amor. Acho que os melhores momentos da vida a gente vive quando se apaixona. E não só quando se apaixona por alguém, mas também por um assunto, uma ideia, um objetivo a ser alcançado. Ser apaixonado pela vida, por celebrar com os amigos, por rir de pequenas bobagens, por viajar e descobrir novos lugares... a paixão, seja em que área da vida estiver, estimula, traz boas energias, revigora.

Alguns acham que sentir-se permanentemente apaixonado é utopia. Dizem que a paixão é finita, que chega uma hora em que acaba. Para mim, quem vive sem paixão é que está acabado, morreu e nem sabe. Porque é ela que nos faz sentir vivos, que traz a sensação inigualável de que algo pulsa aqui dentro. É a paixão que anima, que motiva, que dá razão para acordar e pular da cama todos os dias.

No entanto, acredito que a paixão que não acaba, aquela que não tem “prazo de validade”, é também a que exige reconquista permanente. E reconquistar significa valorizar pequenos momentos e gestos, como trocar presentes no Dia dos Namorados, por que não?

Acho esquisito casais que estão juntos há algum tempo (na maioria das vezes, casados) e que por isso sentem-se “desobrigados” de comemorar a data. Bem, de fato “sentir-se na obrigação de” não é bem a expressão que eu gostaria de ouvir do meu namorado neste dia... mas não é estranho que algumas pessoas simplesmente não liguem? Concordo que é uma data comercial, que Dia dos Namorados pode ser todo dia etc etc... mas acho natural e válido, eu diria até imprescindível, que um casal aproveite a data para celebrar o amor que os une.

Eu não sou diferente e programei várias coisas bacanas pra esse Dia dos Namorados. Sim, eu queria comemorar essa data puramente capitalista, em que sair pra jantar às vezes se torna o maior programa de índio do universo, mas que mal tem? Ocorre que imprevistos de última hora impossibilitaram a comemoração prevista, e aí entra o clichê mais verdadeiro do mundo: quando se está apaixonado, o importante é estar junto.

Acredito que paixão pode ser permanente, sim. E para que isto aconteça, defendo o equilíbrio: não é porque um casal está junto há anos que vai comemorar o Dia dos Namorados como se fosse outro qualquer. É bacana aproveitar pra relembrar o quanto aquela data tem motivos para ser celebrada. Ao mesmo tempo, se isso não for possível por um motivo qualquer, que não seja o fim do mundo.

Presentes e gran finales são força motriz de uma relação apaixonadamente duradoura. Mas um casal em sintonia sabe o que funciona para si: seja um jantar à luz de velas ou uma companhia no travesseiro.





Domingo, 24 de Maio de 2009

Sobre chocolate e outros (des)controles


24.05.09

Por Maria Carolina Medeiros

Às vezes eu pareço maluca, mas garanto: sou só chocólatra. E é por isso que acho totalmente válido contar que estou vencendo a batalha contra essa delícia, que eu já considerei como inimigo. E vencer, nesse caso, não significa que eu esteja resistindo à tentação: estou é aprendendo, pela primeira vez na vida, a não encará-lo como vilão.


Quando me dá uma vontade louca de comer chocolate, como um bombom pequeno, e só (!!!). Consigo parar por ali, incorporando o lema de que o problema não é o que a gente come, mas sim quanto a gente consome. E que se você gosta muito de comer algo, não adianta querer limar esse alimento da sua vida, porque o máximo que a gente consegue com isso é explodir de vontade num dia e comê-lo compulsivamente, pra compensar a ausência sentida.

O melhor disso tudo (além de poder continuar a comer chocolate, claro) é me sentir no controle da situação (eu avisei que às vezes pareço maluca). Quem é chocólatra e tem problemas com a balança bem sabe o desespero que dá depois de se chafurdar numa caixinha de bombons aparentemente inofensiva.

Funciona mais ou menos assim: a abstinência bate e é prontamente resolvida com 34 bombons (porque mesmo que o eleito não seja o Bis, é impossível comer um só – oi, não estou sendo paga pelo merchandising). No minuto seguinte, a gente realiza que trocou uma semana in-tei-ra de privações por alguns momentos de prazer que só os chocólatras conhecem. Se dá conta de que não precisava ter comido tanto, acha que a situação fugiu do controle e se sente incapaz de fazer dieta, mesmo. Pimba! Golpe certeiro na auto-estima. Portanto, conseguir ignorar 33 bombons apetitosos é, sim, uma vitória, ok?

Mas enquanto eu me contento em ter controle sobre o chocolate e minhas calças 38 sorriem com folga (literalmente) pra mim, assustador é perceber que tem gente que sente prazer em controlar pessoas. Essa necessidade se traduz em ex-namoradas que nem têm mais interesse no cara, mas insistem em se manter presentes; pessoas cujo ego é maior do que a consciência e que precisam que o outro fique aos seus pés pra se sentirem poderosos; casais que disputam o tempo todo quem comanda a relação; chefes que não compartilham conhecimento por medo de um jovem talento lhes roubar a posição na empresa; pais que não querem criar os filhos pro mundo e acabam lhes perdendo pra vida.

Querer ter controle em alguns momentos faz parte da vida de todo mundo. Mas quando se torna uma obsessão, chame o Caetano, porque alguma coisa está fora da ordem. Ruim para quem sente, ou não, pois para algumas pessoas, crise de consciência está fora de questão; mas certamente é mais destrutivo do que parece para quem permite que esses manipuladores participem de suas vidas.

Dá pra consumir chocolate sem exageros. Já gente manipuladora é sempre, sem nenhuma exceção, nociva à saúde. Não admita com moderação: corte relações, jogue pra escanteio como os outros 33 bombons da caixa. O melhor dos sabores (mais até do que chocolate) é o poder de escolher o que merece ficar na sua vida.