segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Que jogo você joga?

18.08.09 - por Carol Medeiros

Em tempos de Olimpíadas, apesar de o fuso-horário comprometer a rotina de quem quer acompanhar as disputas, está todo mundo de olho nos Jogos. Seja torcendo pelos atletas brasileiros (agora mais pelas “zebras”, porque os favoritos ainda não mostraram por que assim são chamados), seja vibrando com cada recorde quebrado por Michael Phelps, cada competição que assisto me remete a um tema sobre o qual penso em escrever há tempos: o amor também é um jogo?

Somos criados para pensar que não. O amor é um jogo? Que absurdo, ora essa. O amor é pra ser sentido, demonstrado, percebido, e não racionalizado. Joguinhos, se existirem, só devem fazer parte do começo das relações afetivas, é o que nos acostumamos a pensar. De resto, deixa o coração falar mais alto.

E do “alto” dos meus 24 anos, com algum aprendizado sobre relacionamentos, hoje me arrisco a dizer que o amor pode ser um jogo, sim. Quem nunca pensou que “quando demonstro que gosto muito de alguém, a pessoa se acomoda”? Que relacionamento, por mais apaixonado que seja, resiste às não- renovações diárias de demonstrações de carinho, respeito e confiança?
Não é que tenhamos que medir cada palavra, cada gesto com quem amamos. Mas faz parte, sim, oferecer confiança em excesso em alguns momentos, e permitir um pouco de insegurança em outros. Sentir-se em uma relação estável, mas saber que é necessário conquistar e ser conquistado novamente dia após dia para manterem-se juntos. Faz parte do ser humano, ainda que não tenha consciência disso, não querer sentir-se seguro o tempo todo ao lado de alguém. Se não houver o risco de perda, o que pode se perder é a graça.
Conversando sobre os “jogos do amor” com uma amiga, me deparei com uma analogia muito interessante e que compartilho com vocês dada a simplicidade, ao mesmo tempo em que é profunda. Ela comparou o amor a partidas de tênis e de frescobol. Duas pessoas que jogam tênis têm em comum o objetivo de vencer, o que acarreta, necessariamente, na derrota de um dos dois. Os participantes são chamados de adversários e mandam “bolas ruins” um pro outro, porque o erro de um significa o acerto do oponente.
No caso do frescobol, olha que interessante. Não há vencedor nem perdedor, e comumente os pontos nem são contabilizados. Duas pessoas mandam “bolas boas” uma pra outra com o único objetivo de se divertir e não deixar que a bola caia, porque isso sim acabaria com a partida, ou resultaria no seu recomeço.
Como no jogo do amor funciona parecido! Há casais que jogam tênis sem perceber, e em vez de buscarem cumplicidade, diversão mútua e se preocuparem apenas em manter a bola no ar, disputam a vitória – que nunca chega, porque a “derrota” de um implica sempre no sofrimento também do outro. Por mais óbvio que pareça, como é difícil jogar frescobol! Não concorrer nem disputar, jogar o jogo do amor de modo que os dois sejam parceiros e não adversários, sem contabilizar pontos e percebendo que quando um recebe “bola boa”, o outro ganha também. Os dois, portanto, são vencedores, se não ao mesmo tempo, pelo menos se alternam nesse papel.
A bola caiu! E agora? Para tenistas, isso pode significar o fim da partida - a glória de um e a desgraça do outro. Pra quem joga frescobol, a queda também pode resultar no término da partida, ou não – é uma decisão que cabe aos dois que jogam. Afinal, não há pontuação, nem juiz, nem mesmo torcida – contra ou a favor. Há apenas duas pessoas que, se quiserem, podem continuar jogando juntas, tentando se divertir mantendo a bola no ar, mesmo sabendo que às vezes ela vai cair, inevitavelmente. E que em todas as vezes que isso acontecer, provavelmente um vai ter mais vontade de apanhar a bola do que o outro, porque o ser humano é complexo assim.
A partida continua se ambos concordam que não querem ser oponentes, e que apesar de já terem perdido antes, desejam continuar jogando. Talvez porque o jogo valha a pena, por si só. Talvez porque, mesmo sem certezas pro resto da vida, queiram manter a bola no ar. Ou simplesmente porque – e aí temos o exemplo da nossa dupla de vôlei de praia feminina nas Olimpíadas, que têm dificuldades em se entrosar porque nunca tinha jogado juntas -, aquela parceria é insubstituível.
O dono da bola e das raquetes sabe que não vai achar alguém com quem ele tenha tanta vontade de jogar. E quem joga com ele sabe que pode escolher jogar com outras pessoas, mas é essa bola que caiu na areia que ele quer manter no ar.

25 comentários:

Anônimo disse...

Mais uma vez: Parabéns!!
Rogério Freire

Daniel Cadete disse...

Show de bola Carol!

Sempre achei Frescobol um jogo meio "idiota", talvez porque sempre fui muito competitivo e não achava uma boa razão para jogar um jogo em que mesmo tendo uma performance impecável, não sairia vencedor. Mas comparar frescobol com o amor foi fantástico!

Realmente, é um jogo onde devemos trabalhar para não deixar a bola cair...

Só discordo de você quando disse que não tem torcida... No "frescobol do amor" (rsrsr) acho que sempre tem a torcida do bem, que quer continuar vendo uma dupla com a "bola sem cair", e a torcida do mal, doida para ver a "bola" na areia...

Tudo bem, ainda assim, essa "torcida do mal" não passa de mero espectador, nunca se arrisca nesse jogo.

Parabéns pelo texto e sim, vê se não some do blog!
Bjos

Vicente Donnici disse...

vc tá demais!!!!!

Bruno Norton disse...

Tava com saudades de te ler!
Adorei o texto, pena que muitas vezes seja tão difícil jogar frescoball!

Luiz disse...

Parabéns Carolzinha!
Mais um texto show de bola...
Adorei essa comparação. Muito bem feita e explorada no texto.
Bjo

Alice disse...

Nossa Carol, você não sabe como é gostoso ler seus textos!
Parabens!

Patricia (Kika) disse...

Sensacionallll
Muito bom !!!
Parabéns Carol...
A cada texto uma supresa para nós...

Thaísa Melo disse...

Menina....já ia perguntar kd seus textos....
Toda segunda ficava esperando...demora tanto não tá?! rs!
Mais um mt bom...Parabéns!!!
Beijos e boa semana!

Andreia disse...

Olá, ADOREI o texto!!!!!!!

essa analogia foi sensacional, quero voltar a jogar frescobol... rsrsrsrs

Saudades!!!!!

Bjs

bruno cesar disse...

Po Carol, como sempre escrevendo muito bem.
Está cada vez mais de parabéns.....
Bjos

Amanda disse...

Carol,
A analogia ficou perfeita. Vou usá-la para tentar facilitar o tema quando estiver filosofando com alguma amiga.
Claro que existe um jogo, até nós com nós mesmos jogamos questões do consciente e sub-consciente! Imagina com os outros.
Como somos bobos, não é mesmo?
Adorei e não demora tanto para escrever de novo :-)
beijos, Amandinha

Henrique disse...

Vc escreve muito bem!!! Meus parabéns!!!
Bjs

Amaline Chadraoui disse...

Parabéns Carolzinha!!! É sempre mto bom ler os seus textos! bjs Amaline

Patrícia disse...

Carol, AMEI a comparação!! É perfeita!!!
Como as pessoas são parecidas com essa questão de relacionamento, né??!!
Vc descreve mto bem situações que são comuns nas relações amorosas. Parece, por exemplo, conhecer bem uma realidade que eu tb já conheci de perto, e sei de muitos outros casos (amigas / amigos)! Como a questão do Frescobol que pode se tornar Tenis, sem que percebamos inicialmente...parceria que pode virar competição...e acaba com a relação!!
Afff...adorei!!
Beijos amiga e saudadess!!

Patrícia Menchris

Bruna Carvalho disse...

Carolzita, eu tb senti a falta de seus textos. Já estava ficando acostumada tosa segunda ler um texto seu. Que bom q vc voltou e para variar eu tb adorei :)

Bjs e continue assim.
Bruna Carvalho.

Tetá disse...

Amiga, cada dia tenho mais orgulho de ser sua amiga!!!!! rsrsrs
Realmente adorei esse texto, acho que foi o melhor que já li seu!!!!
Que bom que voltou a escrever por aqui, tava fazendo falta!!!
Beijinhos!!!
Ah, vou mandar por email p/ umas amigas, ok?!

Paula Gonçalves disse...

Amiga perfect!!!
Relacionamento é isso.... qdo começa a ser tenis tem alguma coisa errada certo???
Parabéns mais uma vez, e não demore tanto tempo com o proximo hein....
bjksssssss

Bruno Amaral de Oliveira Rodrigues disse...

ÊÊÊÊÊ!!!

Demorou hein...?!

Seu texto está corretíssimo. Lembra muito a "Teoria dos Jogos", conceito desenvolvido por John von Neumann em 1944 pra estudar a micro e macro economia, mas que é aplicado em diversas esferas, e uma delas, obviamente, é o comportamento humano.

"As equipes não podem atuar isoladamente. Parece ser errado achar que cada um deve cuidar apenas de seu próprio território. Estes podem ser e muitas vezes são superpostos. O futuro de uma equipe pode estar atrelado ao da outra."

"Não deve haver um incentivo institucional à competição das equipes internas, ao "darwinismo" organizacional. Isto se traduziria em políticas de auto-destruição, ou muito comumente na canibalização de produtos da mesma empresa."

"Os líderes das equipes devem ter chance de se conhecerem melhor, e portanto, de desenvolver um nível maior de cooperação."

"A cooperação sempre tem um ganho final positivo em relação a outras possíveis alternativas de ação.
Qualquer situação na qual apareça um conflito de interesses, com a intenção de encontrar as opções ótimas para que, nas circunstâncias determinadas, consiga-se o melhor resultado desejado."

Anônimo disse...

Beijos Carol !!! Estava com saudades...

Rubens

Leandro disse...

Carol, após receber email sobre seu novo texto vim até aqui e li, foram tantas coisas que se passaram pela minha cabeça que escrevi um texto em resposta ao seu, o link é http://leandrodiniz.blogspot.com/2008/08/amor-um-jogo-sic-site-1-introduo-uma.html#links

Abraços

Susane disse...

Parabéns pelo ótimo texto. Foi muito feliz em sua analogia. Bjs
Susane Dill

Klara disse...

Eh, amiga! A comparação foi muito boa. O frescobol pode ser um jogo bem divertido. O problema é quando a bola cai incessantemente. Cansa ficar catando a bola que foi jogada no mar, lááá no meio das ondas... ou procurano aquela que foi zunida na areia. Aí, você simplesmente desiste. Mas só até encontrar outro parceiro que saiba jogar melhor, ou simplesmente combine com seu jeito de jogar. hehehe
bjss

Thábata disse...

Carol, parabéns!!!
Adorei seu texto, sua comparação foi perfeita!
Certamente em um relacionamento buscamos sempre um parceiro ideal para o "jogo", com quem possamos nos divertir tentando não deixar a bola cair!
Virei fã do blog agora!!!
Beijos e mais uma vez parabéns!!!

gisele rollo disse...

Carol......uma vez me falaram q a vida é um jogo, e eu fiquei pensando por um bom tempo achando ridiculo isso, mais hj penso diferente é uma verdade q pena, tomara q pela vida encontremos pessoas q queiram sempre jogar limpo KKKKKKK..
Bjs te adoro e te admiro vc demais!!!

Eric Eustáquio disse...

SOU SEU FÃ!!!!!!!!