quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Quase vintecinco

12.11.08 - por Carol Medeiros

Vou confessar publicamente um antigo vício: sou devoradora de palavras. Adoro ler! Livros, revistas, artigos, outdoors. Aquela história de ler rótulo de xampu e bulas de remédios não é lenda, pelo menos não comigo.

Mas este não é um texto sobre livros, e sim sobre hábitos. Almoçando com uma amiga num restaurante onde nós duas nunca tínhamos ido, ela me contou sua mais recente descoberta: a passagem do tempo estava relacionada a sair da rotina, mudar hábitos, ir a lugares até então desconhecidos.

Em função do meu hábito, o da leitura, fui em busca da informação que tinha ouvido e descobri que a teoria contada por minha amiga provinha de um texto do jornalista Aldo Novak. Atuando como coach, ele é conhecido na área de gestão pessoal, administração e equilíbrio de vida. Pois bem, Novak pesquisou sobre como o cérebro humano mensura a passagem de tempo, o que ele finalmente atribuiu à observação de movimentos, objetos, pessoas, natureza ou de repetição de eventos cíclicos. Novak diz que quando vivenciamos uma experiência pela primeira vez, o cérebro se “esforça” para compreendê-la, mas evita fazer duas vezes o mesmo esforço. O cérebro faz parecer que não vimos, não sentimos ou não vivenciamos pensamentos automáticos, repetidos, iguais.

Isso explica porque experimentamos sensações únicas nas “primeiras vezes” em que realizamos algo que nunca havíamos feito, conhecemos alguém ou algum lugar, enfim, descobrimos algo que é novo para nós. Do mesmo jeito, quando vamos a um lugar pela segunda vez ou passamos sensações repetidas com um namorado, por exemplo, nossa mente tende a automatizar tais experiências, sem processá-las, deixando de vivê-las em sua totalidade.

Acho que vem daí a comum dificuldade de lidar com a rotina: deixamos de vivenciar na plenitude situações que não são particularmente novas. Já pararam para pensar que nos mantemos apaixonados somente enquanto tudo é novo? Ainda estamos conhecendo a pessoa, logo, temos um zilhão de lugares para ir com ela, há muitas coisas que não sabemos ao seu respeito. Todo esse vasto acervo que desconhecemos deve ser maravilhoso, pressupomos ingenuamente. Durante a paixão, há sempre uma primeira vez para tudo.

Após algum tempo de relacionamento, nem a mais criativa das pessoas consegue manter-se como novidade, embora possa se reinventar (no bom sentido, sem máscaras). O problema é encarar o amor como uma sucessão de pensamentos e comportamentos automáticos.

Durante a paixão, a gente pode receber uma florzinha mixuruca, mas nos sentimos como tendo ganhado a flor mais especial do mundo, tipo aquela do planeta do Pequeno Príncipe (sim, eu adoro esse livro). Não tem problema nenhum se o cara não nos leva pra jantar em restaurantes bacanas. Dane-se se ele não tem nosso estilo – ou, ao menos, o que costumava ser o nosso estilo. Quando a gente se apaixona, parece que nada é capaz de acabar com o encanto da situação.

Nada, exceto o próprio tempo. A paixão acaba, meus caros. Não estou aqui para dar conselhos, tampouco sei verdades absolutas, mas cheguei a essa conclusão por experiência própria, do alto dos meus quase 25 anos - ou ¼ de século (acho que dito assim impõe mais respeito). Eu costumava me desesperar com isso, a idéia de não sentir frio na barriga 24 horas por dia me amedrontava demais. Eu era jovem demais para amar.

Quando comecei a entender que relações devem nos somar, e que só devemos permitir que permaneçam em nossas vidas aqueles por quem nutrimos bons sentimentos – porque a paixão não é, necessariamente, um bom sentimento -, percebi o quão bom é não precisar ficar colada ao telefone; afinal, se ele disse que vai ligar, vai mesmo. Se tenho que viajar e ficar uns dias geograficamente longe, não morro por causa disso – diferente do que acontecia no auge da paixão.

Embora não dê nunca pra se sentir 100% segura em nenhuma relação, é ótima a sensação de não ter como primeiro pensamento medo de tomar um “balão” enquanto estiver longe. Sinto saudades, e muitas! Mas sei que posso seguir a minha vida, porque o amor estimula a andar lado a lado, enquanto há relações que consomem tanta energia e requerem tantas preocupações que mal sobra tempo para olharmos para nossa própria vida. E se isso for paixão, tô fora.

Viver a estabilidade que a rotina proporciona, sem ir do céu ao inferno o tempo todo, é gratificante. Mas se estabilidade é bom, o friozinho na barriga é fundamental. Sentir-se inseguro numa relação é péssimo, mas segurança all the time nos faz ver o outro (ou ser visto por ele) como alguém que não erra, não vacila, é incapaz de magoar. Ao tornar-se previsível, esse ser automaticamente não precisa mais ser reconquistado, deixa de exigir investimento. E se isso for amor, tô fora.

Não, isso não é amor. É rotina, acomodação. Enquanto a paixão não se sustenta por muito tempo, um relacionamento acomodado às vezes é pior do que o mais conturbado dos namoros. Será possível, então, encontrar o meio termo entre paixão enlouquecedora e amor morninho?

Sempre tive dúvidas. Hoje eu acredito que seja.
O nome dele? Maturidade.

13 comentários:

Bianca disse...

Mto bom, Carol!
E no auge dos meus quase 25 aninhos ou 1/4 de século (como vc prefere dizer), acho q vc está certíssima! :)

Bjss
Bia

cecilia flesch disse...

E maturidade não tem idade, minha cara...
Fica a pergunta: quando sabemos que estamos aptas a "cair do pé"???
Bom texto!
Bjsssssss

rodrigo giglio disse...

Fiz um comentario enorme e o internet explorer deu pau! Resumindo, depois de escrever 50 linhas no ultimo post, vou me abster em pensamentos dessa vez. O que vc falou, eu acho que vivo o msm, no auge dos meus tb 1 quarto de seculo. Vou refletir melhor, ouvindo de outra pessoa..

bjos e parabens pela habilidade!

Amanda disse...

O melhor!

Patrícia VLDC disse...

Amigaaaaaaaaaaaa!! Que lindo vc refletindo sobre o papo do nosso almocinho semana passada!!! POr isso temos que ter 1x por semana...é realmente uma terapia!!!

Adorooooooooooooooo

Bjusss

Luiz disse...

Excelente texto, Carolzinha (pra variar né...)
E no auge dos meus quase 1/4 de século, tenho que concordar...
A maturidade nos faz enchergar de forma diferente...tanto o agora quanto o que já foi.

Bjo

Elisângela disse...

Carol,

Amei seu blog!!! Adorei o tema Quase Vintecinco.
Concordo com o artigo! E refleti tbm sobre o amor, paixão. ÔOOOOO coisa complicada!!!
Rsrsrs
Parabénssss!!

Priscilla disse...

Carol,o texto está espetacular,e sendo escrito por vc,vejo q um NOVA Carol está ai!
Bons pensamentos!
Conta comigo sempre!
Bjoka Pri Palladino

Paula Gonçalves disse...

Amiga amei!!!
Maturidade diz tudo, e eu no auge dos meus 27 anos penso muito diferente de quando tinha meu 1/4 de seculo (e pode ter certeza q independente de amores sou muito mais feliz hj.... culpa de quem??? dela, MATURIDADE)
Bjosssssss
Paula

AMARAL disse...

Você chama de Maturidade, outros chamam de Terceiro Setor...

Entendeu? Não né... rsrs!! Eu sou um babaca profissional...

BEIJOSSSSSSSSSSSSSSSS!!

Juliana disse...

Oi Carol!
Obrigada pela visita e comentário. Seja bem vinda sempre!
Adorei seu blog.
Bom final de semana pra vc.
Bjs =D

Elisângela disse...

Carol,
Amei seu blog!!! Adorei o tema Quase Vintecinco.
Concordo com o artigo! E refleti tbm sobre o amor, paixão. ÔOOOOO coisa complicada!!! Rsrsrs
Parabénssss!!

Dartagnhan Nascimento (dartagnhan.nascimento@mpsa.com) disse...

É a primeira vez que leio um dos seus textos e estou encantado com o seu talento, e por que não dizer, com seua maturidade....

Beijos e sucessos.... me dedicarei mais a leitura dos seus textos, são ótimos e nos acrescentam.

Fique com Deus